Dhyana e Samadhi

Dhyana é semelhante a Dharana com a diferença que no segundo o foco da concentração era algo externo (a visualização de uma Mandala por exemplo) e em Dhyana o objetivo é o próprio praticante, ele é o observador e o observado.
Interessante notar que no Budismo, Dhyana em japonês é Zen e na China é Chan - são as  escolas mais conhecidas no ocidente. Vale ressaltar que Buddha ensinou que o Nirvana (superação do apego aos sentidos, do material e da ignorância; tanto como a superação da existência, a pureza e a transgressão do físico) é o ponto mais alto e não Dhyana.

Druva Maharaj, garoto que pela força de sua meditação esquentou
todo o plenta - essa história aparece no Srimad Bhagavatam


O Dhyana no Yoga é especificamente descrito por Sri Krishna no capítulo 6 do famoso Bhagavad Gita, em que explica os diferentes tipos de Yoga ao seu discípulo, Arjuna.

Samadhi é o último passo no Astanga Yoga descrito por Patanjali. É o ápice da concentração, de INBOUND (introspecção). Nesse estágio o praticante se percebe como parte do Brahman (energia suprema), funde sua consciência individual na superconsciência, de acordo com a escola Mayavada. Para os Vaisnavas (outra importante Escola de Yoga indiana), nesse momento realizamos Paramatma (a presença de Deus em cada átomo da criação) e nos lembramos de nosso eterno relacionamento com a Suprema Personalidade de Deus, Krsna.


Maha Purusa, a Suprema Personalidade
de Deus, a meta do Samadhi
Paramatma está dentro de cada átomo da
criação e no coração de todos

 


Pratyahara e Dharana

Seguimos com nosso estudo INBOUND com Pratyahara e Dharana:

Pratyahara é a  abstração dos sentidos externos, em outras palavras introversão. INBOUND é pratyahara, se desconectar do externo e passar a observar dentro. É o estágio que prepara par Dharana (concentração). Pratyahara diminui o ritmo do pensamento reflexivo. Não escutamos o telefone tocar, o gato miando ainda que os sentidos (no caso o ouvido) estejam plenamente saudáveis, o que acontece é que o fio que liga os sentidos a mente se desconecta (para ser reconectado somente após a prática).


Por Dharana  se entende concentração e etmológicamente significa segurar ou reter. A base deste exercício é a concentração em um único ponto, causando a introversão, limitando a atividade mental a apenas a contemplação de um objeto observado. A concentração pode ter como foco uma mandala, um yantra. Existem práticas de dharana para a focalização de partes internas do corpo e a retenção da respiração.

Asana e Pranayama

Hoje temos um vídeo muito especial para vocês a INTRO do Yoga Tour Inbound Chile feita pela noss equipe em janeiro. Vejam só a novidade!




E continuando com nosso Estudo Inbound hoje falamos sobre ASANA.
Patanjali explica que significa uma postura "firme e confortável". Em geral é uma combinação de encaixes do corpo (coluna ereta, ombros relaxados...) que favorece a concentração, respiração adequada e traz muitos benefícios ao corpo. Por exemplo:
  • Aumento da flexibilidade
  • Aumento da força
  • Melhora do equilíbro
  • Redução de estresse e ansiedade
  • Combate dor na lombar
  • Auxilia no tratamento de asma e obstrução crônica pulmonar
  • Dá energia positiva e afasta energia ruim
  • Ajuda a mulheres grávidas
  • Melhora a saúde física e a qualidade de vida da "melhor idade"
  • Ajuda no combate a diabetes
  • Reduz problemas de sono
  • Tratamento para hipertensão
Existem muitas asanas praticadas atualmente e muitas outras se tornaram desconhecidas ao longo do tempo já que o Yoga existe a milhares de anos. Talvez uma das mais conhecidas seja Surya Namaskar, postura de Saudação ao Sol que trabalha principalmente a respiração.

Uma boa asana é formada por:
- Consciêcia da respiração
- Bom preparo físico
- Concentração
- Foco, no olhar
- Intenção na ação

As ASANAS dentro do Sistema Yoga Inbound são importantes tanto quanto Mantra Yoga e meditação.

E continuando com o Sistema do Astanga, seguimos com PRANAYAMA. Confira o artigo que já publicamos sobre esse tema: http://yogainboundsp.blogspot.com.br/2012/03/voce-respira-de-verdade.html

Em breve teremos aula de Yoga Inbound para crianças, aguardem!!



8 Passos de Astanga Yoga: praticando Yama e Niyama

Depois de estudarmos sobre a Respiração, Energia Vital, Mente e Inteligência (consulte os post anteriores) damos continuidade ao Estudo Inbound de hoje.
Começamos a estudar os OITO PASSOS de ASTANGA YOGA de Patanjali que garantem a constância na prática.


Os oito são:
Yama (códigos morais)
Niyama (purificação e estudo)
Asana (postura)
Pranayama (controle da respiração)
Pratyahara (controle dos sentidos)
Dharana (concentração)
Dhyana (meditação)
Samadhi (contemplação)


Hoje veremos os dois primeiros: Yama e Niyama

Yama significa restrição. Isso significa que algo precisa ser restringido, o que é? Há muitas respostas possíveis para essa pergunta e cada um pode pensar sobre esse ponto - como uma meditação inbound da semana. Essa restrição não significa repressão e sim compreensão. Em outras palavras, não devemos nos conter e não fazer determinada coisa e sim compreender se é necessário de fato tal ação.
Por exemplo, uma pessoa descontrolada sempre tem fome e o todo tempo busca comer coisas gostosas. Praticar Yama seria pensar se é necessário comer ou não, analisar o horário, com que consciência e etc.
  1. Ahimsa: Não violência. Abstinência a agredir outros, inocência, não causar dor a qualquer criatura por pensamento, expressão, escrita, em qualquer momento. Esta é o "principal" yama. Os outros nove permitem atingir a sua realização.
  2. Satya: veracidade, palavra e pensamento em conformidade com os fatos.
  3. Asteya: não roubar, invejar, não ter dívidas.
  4. Brahmacharya: conduta ética, continência, abstér-se de ter relações sexuais ilícitas, mantendo se fiel quando casado.
  5. Kshama: paciência, não se sentir impelido pelo tempo, manter a atenção no momento presente.
  6. Dhriti: estabilidade, superação da falta de perseverança, superação do medo, superar a indecisão; mantendo uma tarefa até a sua conclusão.
  7. Daya: compaixão; conquistar o equilíbrio, livrando-se dos sentimentos insensíveis e cruéis com todos os seres.
  8. Arjava: honestidade, retidão, renunciando aos enganos e as injustiças.
  9. Mitahara: moderado apetite, nem comer demais, nem de menos.
  10. Shaucha: pureza, evasão de impurezas no corpo, mente e fala. (Nota: o Yoga Sutras de Patanjali lista Shaucha como o primeiro dos Niyamas).

     Niyama são também regras que orientam a prática interna, desenvolvendo qualidades espirituais



    Os dez tradicionais Niyamas são:
  11. Hri: remorso, ser modesto e mostrar vergonha por seus erros;
  12. Santosha: contentamento; estar satisfeito com os recursos ao seu dispor portanto, não desejando mais;
  13. Dana: dar, sem pensar em recompensas;
  14. Astikya: fé, acreditar firmemente em seu mestre, e os ensinamentos para atingir à iluminação;
  15. Ishvarapujana: culto ao Senhor, o cultivo da devoção através de culto e meditação diária, o regresso à fonte;
  16. Siddhanta shravana: ouvir, estudar os ensinamentos das escrituras, ouvir os sábios da sua própria linhagem;
  17. Mati: cognição, o desenvolvimento de uma vontade e um intelecto espiritual com a orientação do mestre;
  18. Vrata: votos sagrados, cumprir as promessas religiosos, regras e observá-las fielmente;
  19. Japa: recitação, mantras diários;
  20. Tapas: culto da força de vontade para resistência; a fome e sede, calor e frio, manter-se de pé e sentado, etc

Nos Yoga Sutras de Patañjali, os Niyamas são a segunda parte dos oito passos do Raja Yoga.
Eles são encontrados no Sadhana Pada verso 32:
  1. Shaucha: Na codificação tradicional, este item é listado como um Yama; essa palavra significa pureza.
  2. Santosha: contentamento.
  3. Tapas: austeridade e penitência.
  4. Svadhyaya: auto-estudo das escrituras.
  5. Ishvarapranidhana: auto-entrega.





Então o importante é pensar. E pensar é de graça, não fazê-lo custa caro :)

Reconhecendo nossa INTELIGÊNCIA

Continuando nosso estudo Inbound, essa semana o tema é a INTELIGÊNCIA. Lembra quando conversamos sobre a MENTE?

A inteligência é o próximo degrau, é mais refinada que a mente. A função dela é discernir através de um critério. Tomando como exemplo a apreciação de uma obra de arte, como tratamos na semana passada, a mente expressaria sua opinião através dos opostos “gosto” ou “não gosto” / “me serve” ou “não me serve”. Já a inteligência trabalha com critérios, então ela pensaria assim: “porque o pintor se expressou dessa maneira? Que experiência o inspirou? Porque? Como eu faria?” 


A inteligência em sânscrito é chamada BUDDHI. Buddha é assim chamado porque significa “o ilmunidado”. Ele era um rei que viveu com todo o conforto e opulência, não conhecia a miséria material. Um dia ele desejou visitar seu reino e o primeiro que viu ao sair do palácio foi um velho, magro e moribundo. Essa cena foi chocante e o fez perceber que somos temporários e que estamos iludidos. Apos essa reflexão ele foi para o bosque, sentou-se embaixo de uma árvore em postura de meditação e fez o voto de não se mover até alcançar a iluminação. Seu Ele queria descobrir a raiz da ilusão material, do sofrimento. Nesse processo, Maya, a própria Energia Ilusória, aproximou-se e tentou atrapalhar sua meditação. Ela era muito atraente e com muita insistência procurar interromper sua iluminação. Buddha então percebeu que a origem do sofrimento é o DESEJO.
A mente sempre buscar fomentar mais desejos materiais (buscando o conforto, se sentir querido, útil, boa casa, comida e etc) que na realidade são causa de frustração já que ela é obstinada e muito forte. Surge o desejo e no momento seguinte outro desejo e assim por diante... É impossível satisfazer a mente pois ela sempre buscará outro desejo mais intenso... Não é verdade?
Então a inteligência busca através de critérios cercear a mente descontrolada e impor alguns limites. Por exemplo, não é saudável comer muito ou doces a noite. Supondo que a mente esteja fora do controle buscando satisfazer seus sentidos. Com certeza ao ver um delicioso chocolate vai querer comê-lo. É nesse momento que surge a inteligência aconselhando a evitar porque não é saudável comer quando se vai o sol. A inteligência busca manter a harmonia do corpo, do ambiente e também nos relacionamentos. É aquela voz que as vezes escutamos e que sempre nos aconselha.
 E o que a mente e inteligência tem a ver com Yoga? Tudo!


A mente sempre busca o conforto e satisfazer os desejos e a inteligência busca manter a harmonia. Quando praticamos uma asana (postura) talvez seja um pouco difícil, exija concentração, alongamento e resistência... A mente na hora já quer desistir e ir para o relaxamento! Mas a inteligência argumenta que é necessário manter e postura e etc... Simplificando: o Yoga FORTALECE a inteligência fazendo com que ela se desenvolve e possa ser mais forte que a mente.

Descubrindo a mente

Continuando com nossos Estudos Inbound, hoje conversamos sobre a MENTE.

Como vimos no artigo sobre Respiração, o bebê assim que nasce começa a respirar.

E assim que nasce já começa a ter atividade mental! Na realidade o bebê já "pensa" desde muito pequenino! Por isso é importante que a mamãe converse com o feto, estabeleça um laço forte de carinho. Afinal ele já sente tudo...

Qual é a função da mente? Para que serve?


A mente sempre nos deixa em ansiedade, essa é a função dela! Nos perturbar, nos trazer dúvida e tudo isso que nós já sabemos...

Srila Bhakti Pramode Srila Puri Maharaj (mestre de yoga indiano), apresentou uma definição interessante em seu livro, A arte do Sadhana: "A mente é meio pelo qual se percebe as coisas". Em outras palavras, ela tem a função de aceitar ou rejeitar, é o segundo portão (o primeiro são os sentidos e o terceiro é a inteligência), causando o DESEJO.

Por exemplo, ao ver uma obra de arte talvez muitas pessoas pensem: "hmmm, gostei" ou "não gostei por tal motivo". No entanto a arte é muito superior a essa impressão simplista. Porque o pintor usou essa técnica? O que queria passar? Qual o contexto da obra? Essas perguntas ajudam a revelar o significado real.

Então a mente sempre se baseia na DUALIDADE:
- Gosto ou não gosto
- Frio ou calor
- Fico ou saio
- Tal pessoa me tratou bem ou me tratou mal
 e etc.

 O Vedanta-sãra (62.68) conclui:
"A mente é a função do ser interno relativa a decisão (sankalpa) e a indecisão (vikalpa). Junto com os sentidos cognitivos (jñãnendriya), conforme a cobertura mental (mano- maya-kosa)"

O Bhagavad Gita (cap. 6 versos 5 e 6) acrescenta que a mente pode ser amiga ou inimiga:

"Uma pessoa deve se elevar com sua própria mente, e não se degradar. A mente é o amigo do ser condicionado, e seu inimigo também. Para aquele que conquistou a mente, ela é o melhor amigo; mas para a pessoa que fracassou em fazê-lo, sua própria mente será seu pior inimigo."

E para concluir, explica como manter a mente controlada:
11-12. Para praticar yoga, a pessoa deve ir a um lugar isolado, colocar grama kusha no chão e então cobri-la com uma pele de veado e um tecido macio. O assento não deve ser nem muito alto nem muito baixo e deve estar situado num lugar sagrado. O yogi deve então se sentar muito firmemente e praticar yoga, com o controle da mente e dos sentidos, com a purificação do coração e com a mente fixa em um ponto.


13-14. A pessoa deve manter seu corpo, pescoço e cabeça eretos numa linha reta e olhar fixamente para a ponta do nariz. Desse modo, com uma mente dominada, não agitada, desprovida de medo, completamente livre da vida sexual, a pessoa deve meditar em Mim dentro do coração e
fazer de Mim a meta última da vida. Meditação: Importante notar que Krishna recomenda meditar Nele dentro do coração, e não em uma luz ou numa energia impessoal.

15. Assim, com a prática do controle do corpo, mente e atividades, o místico praticante da transcendência alcança o reino de Deus (ou a morada de Krishna) pela cessação da existência material.

16. Não há possibilidade de uma pessoa se tornar um yogi, ó Arjuna, se ela come em demasia ou se come muito pouco, se dorme em demasia ou não dorme o suficiente.

17. Aquele que é moderado em seus hábitos de alimentação, descanso, trabalho e recreação pode mitigar todas as dores materiais com a prática do sistema de yoga. Meditação: É um fato que as práticas de yoga mantém a pessoa em boa saúde tanto mental quanto física.


18. Quando o yogi, pela prática de yoga, disciplina suas atividades mentais e se situa na transcendência, desprovido de todos os desejos materiais, diz-se que ele alcançou o yoga.

19. Assim como uma vela não tremula num lugar sem vento, também o transcendentalista, cuja mente está controlada, permanece sempre fixo em sua meditação no Eu transcendental.



O processo para controlar a mente é fazer YOGA.

Conheça o YOGA INBOUND, faça uma aula experimental gratuita: yogainboundsp@gmail.com

De onde vem nossa energia?

Na semana passada abordamos o princípio de tudo: a respiração.
Continuando com esse estudo básico de Yoga...

De onde vem nossa energia?

Energia significa calor para a física moderna. Nosso corpo é quente, portanto está repleto de energia. Os aparelhos domésticos devem ser conectados a rede elétrica para funcionarem... Mas e nós?
Basta dormir?

Tradicionalmente se explica que a energia (o prana ou o chi da China) é absorvida pelo corpo através:

1. Alimentos:  estão cheios de proteínas, vitaminas e açúcares que proporcionam o funcionamento adequado do organismo.

2. Terra: através do descanso, da conexão com a natureza por exemplo. Posturas como Balasana favorecem essa troca.

3. Ambiente: esse aspecto é um pouco mais sútil e muitas vezes é esquecido. Se refere a consciência da pessoa que come, onde como, do que fala enquanto come e etc... 

A nutrição é um processo que começa internamente.

Não basta comer ou como se diz "encher a pança" é necessário comer alimentos de boa qualidade, com boa consciência e em um lugar adequado.

O que percebemos é que o sistema em que vivemos atualmente não nos permite retirar o máximo do prana possível. Dificilmente conseguimos almoçar algo preparado com carinho e qualidade todos os dias da semana, num ambiente agradável e a conexão com a natureza (que aliás, nos fornece os alimentos!).

Ainda assim, é sempre importante ter conhecimento do ideal para podermos atuar da maneira mais correta possível - sempre considerando tempo, lugar e circunstância.

Vai comer?
Então pense:
O que vai comer?
Onde? Com quem? Pensando em quê?